Rede de Proteção discute estratégias para atendimento a adolescentes com transtornos mentais em Centros socioeducativas da Funac
A Fundação da Criança e do Adolescente (Funac) reuniu nesta sexta-feira (17) com representantes da Rede de Proteção para discutir estratégias e definir encaminhamentos voltados ao atendimento de adolescentes privados de liberdade com transtornos mentais. O encontro reforça a necessidade de atuação integrada entre os órgãos do sistema de garantia de direitos.
O encontro reuniu profissionais da assistência social, da saúde, do sistema de justiça e de órgãos de defesa de direitos, evidenciando a complexidade da pauta e a necessidade de respostas articuladas. Entre os principais pontos debatidos estiveram a definição de fluxos de atendimento, o acompanhamento contínuo desses adolescentes e a ampliação do acesso aos serviços especializados de saúde mental.
A presidente da Funac, Sorimar Sabóia, destacou que a atuação conjunta é essencial para garantir resultados efetivos. "Estamos tratando de adolescentes que cumprem medida de internação nos Centros Socioeducativos e que precisam, fundamentalmente, de ações estruturadas, com estratégias que assegurem a proteção integral. São adolescentes e jovens com perfil desafiador e complexo, que, sozinhos, não conseguem acessar ou sustentar as medidas necessárias para o próprio cuidado”, afirmou.
"Por isso, é indispensável o trabalho conjunto da rede, especialmente no momento de retorno ao convívio social. Ao meu ver, é uma atuação que precisa ser pensada a longo prazo, para dar conta do conjunto de cuidados que esses adolescentes demandam. O Sistema de Garantia de Direitos foi criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente justamente para atender essa complexidade, integrando políticas públicas e assegurando respostas efetivas para essas demandas", complementou Sorimar.
A secretária de Assistência Social do município de Bom Jardim, Elizete Meireles, reforçou a importância do acompanhamento contínuo. "A Rede de Proteção precisa se fortalecer cada vez mais para garantir o acompanhamento desses adolescentes, principalmente após o cumprimento das medidas. Esse cuidado não pode ser interrompido”, destacou.
Na área da saúde, o secretário municipal de Bom Jardim, Wagner Araújo, ressaltou a necessidade de ampliar o acesso aos serviços especializados. "Precisamos garantir atendimento em saúde mental de forma contínua e qualificada, para que esses adolescentes não fiquem desassistidos, sobretudo nos momentos mais críticos", pontuou.
A iniciativa integra uma agenda contínua da Funac voltada ao aprimoramento do atendimento socioeducativo no estado, com foco na humanização, na garantia de direitos e na construção de novos caminhos para adolescentes privados de liberdade.
O juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude de São Luís, José dos Santos Costa, avaliou a reunião e o papel da articulação institucional. "A reunião sinaliza a necessidade de manter essa Rede atuante pois temos muitos adolescentes com comprometimentos com drogas, distúrbios. O enfrentamento dessa realidade exige responsabilidade compartilhada. A atuação integrada da rede é fundamental para assegurar que as medidas socioeducativas cumpram sua função, com respeito aos direitos e foco na reintegração social", comentou.